A Montanha Mágica explicada por Thomas Mann

Por francisco razzo, 20 de agosto de 2010 15:15

O que devo eu então dizer sobre o próprio livro (Montanha Mágica) e ainda por cima, como deve ser lido? O começo é uma exigência muito arrogante, a dizer que se deva lê-lo duas vezes. É claro que essa exigência é retirada imediatamente para o caso de que na primeira vez se tenha ficado entediado.

A arte não deve ser nenhum trabalho escolar nem dificuldade, nenhuma ocupação contre coeur, mas sim deve alegrar, entreter e animar e aquele sobre o qual uma obra não exerce esse efeito então este deve deixar a obra de lado e voltar-se para outra. Mas quem chegou uma vez até o final com a “Montanha Mágica” então eu aconselho a lê-la mais uma vez, pois seu feitio particular, seu caráter como composição traz consigo que o prazer do leitor aumentará e se aprofundará da segunda vez, – como se deve já conhecer uma música para poder gozá-la de acordo.

Não casualmente utilizei a palavra composição, a qual se costuma reservar à música. A música sempre influenciou meu trabalho formando fortemente meu estilo. Os poetas são, na maioria das vezes, outra coisa no fundo, eles são pintores ou gráficos ou escultores ou arquitetos deslocados ou outra coisa qualquer. Quanto a mim, eu pertenço aos músicos entre os poetas. O romance sempre foi para mim uma sinfonia, um trabalho de contraponto, um tecido de temas no qual as idéias têm o papel de motivos musicais. Ocasionalmente aludiu-se – eu mesmo o fiz também – à influência que a arte de Richard Wagner exerceu na minha produção.

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Estante de Livros

Por francisco razzo, 10 de agosto de 2010 18:22

Thomas M. Robinson

As Origens da Alma: Os gregos e o conceito de alma de Homero a Aristóteles

“Jamais seria possível descobrir os limites da alma, ainda que todos os caminhos fossem percorridos; tão profunda é a sua medida”. As palavras de Heráclito, um dos primeiros filósofos a se dedicarem ao tema da psyché, introduzem bem o percurso que Thomas M. Robinson se propôs seguir nestas páginas dedicadas à história da alma. De Homero a Aristóteles, as oito etapas que compõem esta história permitem compreender a profundidade da investigação e a ousadia que caracterizaram as investigações da psicologia antiga.

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Franco Trabattoni

Platão

Este livro é um manual introdutório e propedêutico ao pensamento de Platão. Capítulo I. Vida e obra; Capítulo II. Sócrates e Platão – A orientação ética e política; Capítulo III. A crítica à cultura tradicional; Capítulo IV. Platão e a sofítica; Capítulo V. A concepção platônica da realidade e do conhecimento; Capítulo VI. A descoberta da dimensão ideal e as características da metafísica platônica; Capítulo VII. Metafísica e epistemologia n’A República; Capítulo VIII. A natureza do homem – a alma; Capítulo IX. O amor platônico e a educação da alma; Capítulo X. A ética e a política n’A República; Capítulo XI. As idéias, o conhecimento, a dialética; Capítulo XII. O bem no homem e no cosmos – o Filebo e o Timeu; Capítulo XIII. O último pensamento político de Platão – O Político e As Leis; Capítulo XIV. As doutrinas orais.

Dois textos do Reinaldo Azevedo sobre a questão do Aborto

Por francisco razzo, 2 de agosto de 2010 17:39

1- O Fantástico e o aborto: assim não, companheiros! Ou: não se compensa penúria ética de uma tese com números fabulosos

Por Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog

Egon Schiele. Mãe Morta I, 1910, Óleo sobre madeira; Viena, Sammlung Rudolf Leopold

A propósito do post acima: o Fantástico levou ontem ao ar uma longa reportagem que fez a defesa sub-reptícia da legalização do aborto, embora não se tenha tocado nessa expressão em nenhum momento. Escolheu-se o chamado método do terrorismo didático: convencer pelo horror. Câmeras escondidas flagraram clínicas clandestinas e carniceiros variados para evidenciar que, proibido embora — exceto em caso de estupro e risco de morte da mãe —, o aborto é feito à larga. O corolário restou subjacente: se é assim,  a proibição é uma hipocrisia e se legalize de vez a prática para preservar a saúde das mulheres. A tese é ruim. Que outras ilegalidades deveriam ser tornadas legais já que a gente não pode mesmo coibi-las totalmente? Levada a tese ao limite, em vez de combater os criminosos, as sociedades deveriam legalizar o crime. Tudo seria da lei. Voltaríamos ao estado da natureza. E deixo de barato que a defesa da “saúde da mulher” ignore, no caso, a vida do feto.

Uma tese ruim irrita, sim. Mas o mais constrangedor da reportagem, depois do método didático-terrorista, é a manipulação desajeitada de supostas estatísticas ou pesquisas, o que levou o site do Fantástico a cravar em seu site, na manchete: “Uma em cada cinco mulheres já fizeram aborto no Brasil”. De onde saiu tal formulação?

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A Gula Republicana

Por francisco razzo, 2 de agosto de 2010 13:37

Por Luiz Felipe Pondé
Fonte: Folha de São Paulo

Max Ernest. A Virgem Santa castigando o Menino Jesus perante Três Testemunhas – André Breton, Paul Éluard e O Artista,

ELA PROVAVELMENTE estudou serviço social ou direito. Ele, psicologia ou pedagogia ou mesmo ciências sociais. Ambos têm certeza de que devem “melhorar o mundo” através da criação de leis ou políticas públicas. Querem criar o cidadão ideal. O que é isso? Sei lá, alguém que vá ao banheiro com consciência social?

Conhece alguém assim? Eles estão em toda parte, como uma praga querendo domar a vida a qualquer custo. E vão mandar em você logo.

Não se trata de uma questão apenas para alguém que tem simpatias por formas de vida menos controlada, como eu. Alguém que fuma charutos cubanos e acha que terapia de shopping faz bem mesmo (quem diz o contrário é mentiroso ou não tem dinheiro). Eu sei que o efeito dessas terapias passa rápido, mas, afinal, o que passa rápido mesmo é a vida.

O controle legal da vida, grosso modo, separa dois modos de ver a política desde o século 18. Um primeiro modo, “mais” britânico, tende a ser mais cauteloso em relação às formas políticas e legais de controle da vida moral (hábitos e costumes). Outro, mais descendente da revolução francesa, tende a babar de tesão só em pensar no controle dos hábitos e dos costumes, devastando a diversidade moral do mundo, como na proibição do véu islâmico na França.

No Brasil, temos um déficit sério em nossa formação. Quase todo mundo só conhece os franceses utópicos ou os alemães hegelianos (todos jacobinos de espírito), o que empobrece o debate público. Essa pobreza não se limita ao senso comum, mas, desgraçadamente, atinge a própria academia que repete cegamente a liturgia da gula republicana: controlemos a vida em nome de uma vida perfeita.

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Miséria intelectual sem fim

Por francisco razzo, 1 de agosto de 2010 12:53

Por Olavo de Carvalho

Diário do Comércio, 15 de agosto de 2005

James Ensor Intrigue. 1911

Há quase meio século o mercado editorial brasileiro, e em conseqüência os debates jornalísticos e universitários, cujo alimento de base são os livros, não refletem em nada o movimento das idéias no mundo, mas apenas o apego atávico da intelectualidade local a mitos e caoetes fabricados pela militância esquerdista para seu consumo interno e satisfação gremial.

Sem a menor dificuldade posso listar mais de quinhentos livros importantes, que suscitaram discussões intensas e estudos sérios nos EUA e na Europa, e que permanecem totalmente desconhecidos do nosso público, pelo simples fato de que sua leitura arriscaria furar o balão da autolatria esquerdista e varrer para o lixo do esquecimento inumeráveis prestígios acadêmicos e literários consagrados neste país ao longo das últimas décadas.

Esses livros dividem-se em sete categorias principais:

1. Obras essenciais de filosofia e ciências humanas que oferecem alternativas à ortodoxia marxista-desconstrucionista-multiculturalista dominante (por exemplo, os livros de Eric Voegelin, Leo Strauss, Xavier Zubiri, Bernard Lonergan, Eugen Rosenstock-Huessy, Thomas Molnar, David Stove, Roger Scruton).

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John Milbank: A Teologia da Libertação e a história do pensamento socialista cristão

Por francisco razzo, 29 de julho de 2010 20:38

Fonte: Revista IHU Online

'A meditação de São Francisco', El Greco, ayer, en el San Pío V.

Crítico, o teólogo anglicano e teórico inglês John Milbank contribui na edição desta semana sobre o lugar da Teologia da Libertação na contemporaneidade. Nascido ao norte de Londres, e conhecido como um dos teólogos cristãos mais proeminentes e controversos do mundo, John Milbank é professor no Departamento de Teologia e Estudos Religiosos da Universidade de Nottingham, no Reino Unido. É autor de, entre outros, Theology and social theory: Beyond Secular reason (Blackwells, 1993), um estudo influente da relação entre a teologia cristã e a história da teoria social e política ocidental. Este livro foi traduzido e publicado no Brasil sob o título Teologia e teoria social: Para além da razão secular (São Paulo: Loyola, 1995). A IHU On-Line, nº 24, de 01/07/2002, reproduziu a resenha desse livro feita por Henrique C. de Lima Vaz.*

IHU On-Line – A recente notificação da congregação para a Doutrina da Fé sobre os dois livros de Jon Sobrino põe novamente em discussão a Teologia da Libertação. Por que esta teologia, que muitas pessoas consideram superada, ainda provoca tão grande inquietação?


John Milbank -
Em certo sentido eu considero surpreendente que ela seja tão controversa, porque penso que os contextos originais desta teologia – movimentos de libertação nacional e a influência do marxismo ortodoxo – já não existem. As atuais lutas radicais contra a globalização são um tanto diferentes em seu caráter e o novo radicalismo na América Latina é eclético – com freqüência baseados em tradições não estatistas de cooperativismo e distributivismo, bem como de marxismo. Mas eu penso que talvez haja certa irritação no Vaticano por a Teologia da Libertação ser um movimento intelectual que desencaminha o povo – por exemplo, que ele obscurece o potencial radical no próprio ensinamento social papal que, em certos aspectos, está muito mais em sintonia com as novas correntes radicais. Eu penso, portanto, que a questão é simplesmente teológica – a saber, que a Teologia da Libertação torna situações seculares e teorias seculares demasiado normativas para a teologia e, conseqüentemente, chega a conclusões que são pouco ortodoxas.

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Estante de livros

Por francisco razzo, 28 de julho de 2010 18:08

Mortimer Adler

Como Ler Livros

O livro aborda os vários níveis de leitura e mostra como atingi-los – da leitura elementar à leitura rápida, passando pelo folheio sistemático e pela leitura inspecional. Aprende-se a classificar um livro, a ‘radiografá-lo’, a isolar a mensagem do autor, a criticar. Estudam-se as diferentes técnicas para ler livros práticos, literatura imaginativa, peças teatrais, poesia, história, ciências e matemática, filosofia e ciências sociais. Por fim, os autores oferecem uma lista de leituras recomendadas, bem como testes de leitura para que você possa medir seu progresso em compreensão, velocidade e capacidade de leitura.

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Irmã Miriam Joseph

Trivium

O livro guia o leitor através de um claro e rigoroso estudo de lógica, gramática e retórica. Uma apresentação da gramática geral, proposições, silogismo, entimemas, falácias, poética, linguagem figurativa e discurso métrico – acompanhado de gráficos facilmente compreensíveis e vivificados por exemplos de Shakespaeare, Milton, Platão e outros – fazem do Trivium um livro perfeito para professores, estudantes, pesquisadores e todos os que levam a sério o estudo da linguagem.

Verdade Santa e a desgraçada lógica

Por francisco razzo, 27 de julho de 2010 23:17

Paul Gauguin. Cristo Amarelo

É absolutamente possível e até relativamente fácil Vencer um debate sem precisar ter razão. Existe um numero bastante considerável de artimanhas e técnicas pra isso, estratagemas consagrados pelos mais sofisticados estudos da lógica e da retórica cuja formalização e sistematização remontam a Aristóteles.

De fato, é preciso conhecer razoavelmente um pouco de lógica e retórica pra conseguir identificar com algum grau de precisão o uso dessas operações da linguagem.

Raríssimas são as pessoas que encaram um debate conhecendo a fundo os princípios que regem a lógica e a retórica. A coisa toda geralmente funciona à base de adrenalina pura, muito mais por ímpeto e emoção do que realmente a busca de esclarecimento por alguma inquietante questão filosófica.

Quem entra em um debate entra pra ganhar. E são raras as pessoas que entram com o objetivo de aprender verdadeiramente alguma coisa ou que está aberto às mudanças. Na verdade, pensando bem, acho muita ingenuidade quem entra em um debate acreditando que vai “mudar a cabeça do adversário” ou “mudar a própria cabeça”, pelo contrário, quem entra, é porque está pretendendo dar uma pancada na cabeça de alguém e fazer de tudo para não levar outra.

Se você pretende aprender alguma coisa de verdade, há basicamente dois caminhos, os livros, que estão calados, e os amigos; talvez um professor ou outro, mas são raros os que ensinam alguma coisa que preste. Quem procura uma conversa saudável a fim de aprender, deve evitar o debate.

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Quem dizem os homens que eu sou? Tu és o Cristo!

Por francisco razzo, 26 de julho de 2010 19:10

Sétimo Selo. Antonius Block e a Morte

Uma das coisas que sempre me chamou a atenção em relação ao cristianismo, desde que eu comecei compreender um pouco mais a fundo o significado da vida cristã, é a profunda dimensão existencial do drama da vida humana: ou tudo ou nada. Não há meio termo, palavras de consolo, um doce afago, a questão é radical: ou será salvo ou condenado. Tire essas duas dimensões do cristianismo e o castelo desaba.

Cristianismo não é uma doutrina de assistência social, de economia política ou mesmo uma teoria científica sobre a origem do cosmo, sobre a diferenciação das espécies, muito menos um cardápio para uma dieta saudável e uma receita bacana para uma vida “feliz”.  Fundamentalmente, o cristianismo é uma doutrina da salvação e da danação, da redenção e misericórdia.

Ser cristão é tomar consciência dessa tensão existencial radical que habita o coração de cada pessoa humana, seja rico, pobre, erudito, analfabeto, rei, escravo, não interessa, ou seremos salvos ou seremos condenados. É a eternidade que está em jogo aqui, todo o resto é um acréscimo contingente à sua histórica. Ou se acredita e vive isso, ou não. Não se acredita por que é bacana, dá prazer e benefícios sociais, mas por que é verdadeiro!

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Ceticismo Dogmático de um Ateu

Por francisco razzo, 25 de julho de 2010 13:23

Caravaggio. A incredulidade de São Tomé

Muita gente se diz cético por pura conveniência social, afinal, é bonito nos botequins da vida se passar por alguém que perdeu as esperanças e ainda consegue levar a vida numa boa.

Ser cético é um modismo cultural, expressa uma espécie de ar blasé, coisa de gente pomposa e chique, coisa de gente que acredita demais em si mesma, mesmo atravessada pelo mais terrível tédio, e não está nem aí para as conveniências sociais:

Muitos ateus se dizem céticos e vendem seu ateísmo como se fosse o mais puro e genuíno ceticismo. “O ceticismo é uma arma contra dogmatismos”, dizem, com o peito estufado, “ser dogmático é coisa de retardado, portanto, liberte-se, seja você também um cético”.

Recentemente, lendo um desses sites ateus, me deparo com o seguinte texto: Meu ateísmo radical: Sagan, Dawkins, Woody. Assinado por Bruno Cava e publicado no Amálgama. Como estou de férias, gosto de ler coisas para distrair a mente, e como meu alter ego é ateu, ele me sugere insistentemente essas leituras.

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